Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

Arquivo para o mês “maio, 2012”

Legado: meu lamento

Uma tenativa, assim posso resumir.

Lamento por não parecer mais com quem gostaria, lamento por não ajudar mais quem podia, lamento por ainda ser tão egoista.

Mas meu lamento termina quando entendo que eu tentei, nunca desisti, e sei que nunca chegaria aonde gostaria de chegar. Caminhei o Caminho e procurei a Verdade…

O Poder da Razão

Hoje foi mais um dia para pensar, mais um dia para acordar.

Seguia uma rota que já faço a meses, normalmente, pela faixa da direita até que um ônibus passou a centímetros de mim, e novamente,  um grande susto.

Logo em seguida havia uma decida e como sabia que o  ônibus iria parar não perdi a oportunidade de falar ao motorista, sempre com respeito.

Ao alcançar o motorista o fato que argumentei foi quanto à distância para ultrapassar, mas além disso lhe falei de amor, de respeito, que poderia ser um filho ou amigo dele, ainda em choque mas com educação pedi que se corrigisse sua atitude para evitar uma possível morte em uma outra ocasião; sem parecer se importar falei aos passageiros que o ajudem a respeitar os ciclistas, o que fez parecer que se envergonhava. Após isso ele se defendeu com sua justificativa: ele falou que “eu estava errado e não devia estar ali”, então entendi por que ele teve que passar tão perto de mim, sendo que isso nunca ocorreu com outro ônibus.

“Tranquilamente lhe disse que eu não estava errado pois estava em velocidade compatível e na faixa da direita, mas foi em vão, aí, me dei conta que o melhor a ser feito era ir pra cima! Em seguida meti o pé  na porta do ônibus, o motorista abriu a porta, saltei da bicicleta e entrei no ônibus,  tirei o soco inglês do bolso e acertei soco na cara dele… de imediato ele ficou inconsciente, sangrando, todos no ônibus podiam ver seus três dentes caídos no painel.  Todos puderam constatar do que um ciclista revoltado é capaz!” Sátira escrita por Marcos Boriero

Claro que o que está escrito acima não ocorreu. Após o motorista afirmar que eu estava errado por uma fração de segundo me senti indesejado naquela rua, senti que a vida não tem valor, senti que se eu estivesse errado eu mereceria a sentença de morte; o pior é que eu não estava errado.

Pensei tanta coisa naquele momento: um pedestre fora da faixa merece morrer? um carro sobre a faixa ou estacionado na vaga de deficiente faz seu motorista merecer a morte?

Quando se confia ao motorista um veiculo forte e pesado ele sabe que foi feito com o fim de servir ao homem e só esse fim, não para ser usado como uma ferramenta de punição, para assustar outros veículos menores ou ciclistas que “deveriam” estar fora do seu caminho.

Lamentei em ouvir aquela dura justificativa, e temi que assassinos as usem em suas atitudes covardes. Pedi como pai de família a um trabalhador como eu, para que ele se importasse com os outros e que zele pelas vidas, essa é sua responsabilidade de todos ainda mais ao conduzir um veículo tão forte, afinal ele não é um bandido.

Temi que ele não se importasse em tirar uma vida acreditando que ele tenha a sua “razão”. Eu não quero matar por nenhuma razão, mas não preciso de razões para amar. E assim me despedi lhe desejando muito amor e um ótimo dia, com alguma esperança que ele possa amar.

Não Foi Hoje…

Todos os dias encaro minha rotina sem me acovardar, a rua está a minha espera. Com minha bicicleta sigo meu caminho de sorte.

Diferente do que pensam a rua é inofensiva, muitas vezes mal cuidada retribui o carinho da mesma forma.

A rua permanece passiva sob quem a domina, e meu temor vem deles. Alguns grandes outros pequenos se satisfazem nela, com sua sede de status, sentem-se poderosos e com certeza são poderosos e mortais. Outros na mesma rua não conseguem ignorar o próximo e assim transbordam educação e respeito, simplesmente não conseguem ver o ciclista como inimigo.

Com esse medo todas as manhãs despeço-me de minha filha, um abraço apertado um beijo carinhoso e sempre penso: pode ser a última vez que a vejo. Saio, precavido e temo os corajosos e indestrutíveis homens que habitam a maquina de metal que com uma decisão mal tomada podem fazer uma órfã. Talvez para provar que eu esteja errado ou  para provar que são fortes ou quem sabe pode ser só um erro, mas com certeza seria mortal. Mas tenho esperança, acredito que minha precaução, o respeito de alguns e algum resquício de amor ou a precaução de uma dor de cabeça de outros podem me ajudar a sobreviver, por mais um dia.

E quando chego em casa a noite às vezes me surpreendo, após a última despedida de minha filha pela a manhã com o seu abraço apertado, eu a revejo e penso: não foi hoje.

Satisfaço-me a cada manhã e a cada última despedida, minha esperança cresce com o sonho em um dia não temer sair de casa, com alguma certeza que voltarei.

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