Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

Capacete?… para que se temos amor…

Ó, mãe, tô de capacete!

Sabrina Duran

Pois é, mãe, depois de tanto você insistir – especialmente nos almoços de domingo quando, do nada, enquanto me passava o arroz ou a salada, você me perguntava “e o capacete, filha? Não vai comprar não?”, decidi finalmente comprá-lo – e usá-lo, o que é mais importante. Comprei ontem, numa loja de skate da Galeria do Rock, no centro da cidade. Certamente, alguns performers mimimis da bike vão chiar um monte porque comprei um capacete de skate de 50 mangos – “que bosta!”, pensarão. Gente, acho lindo que vocês paguem uma bica de grana num capacete profissa e pedalem lindamente com ele por aí, mas eu não tenho essa grana, assim como a maioria dos brasileiros que, como eu, usam a bike como meio de transporte. Vamos ir pra rua com o que temos. Então, performers, antes de irem correndo até a caixa de comentário pra cagar regra, leiam o post até o fim, ok? E outra, não estou fazendo apologia a favor de capacete ruim – nem criticanto os bons. Só peço um pouco de paciência pra chegar até o fim do texto e um fiozinho de bondade nesse coração bombado de adrenalina de vocês.

Bonecão de Olinda

Bom, cheguei sem o capacete na loja e saí de lá com ele. Sensação esquisita. Nunca usei um capacete antes. Parecia que eu tava com uma jaca na cabeça, uma dessas cabeçorras dos bonecos gigantes de Olinda. Tive que reaprender o balanço do pescoço – especialmente nas curvas. Mas é coisa simples, acostuma-se rápido. Mas o pior de tudo é que coça, viu, mãe? Afff, como coça! Teve uma hora que eu quis descer da bike e sair ralando a cabeça no chão, tipo cachorro que arrasta as costas – ou o cu – no asfalto pra coçar onde não alcança. Puta coceirinha chata. Mas também passa. É só ignorar o desconforto.

Mãe, eu comprei esse capacete por você, e só por você – e por algumas outras pessoas que têm apreço por mim e que vêm no capacete uma reciprocidade do apreço. Ok. É justo. O fato é que nunca usei capacete porque nunca senti necessidade. Nunca me senti mais ou menos protegida com ou sem ele. E vou te contar uma coisa, mãe, que talvez você e muita gente não saiba: o que nos protege a vida não é o capacete, mas a educação e civilidade do motorista que vem atrás de nós, pelos lados ou na frente.

Se um louco atrás de um volante quiser passar por cima de mim de sacanagem, só porque tá com pressa – porque é um boçal, no fim das contas –, ele vai fazer isso, e não haverá capacete algum que proteja a vida da sua filha que você pariu e criou e vem criando com tanto zelo por 31 anos. Aliás, não é preciso ser ciclista pra topar com um louco. Quantas histórias a senhora já não ouviu de motorista que atropelou gente na calçada, na faixa de pedestres? – dia desses li uma reportagem sobre um motorista que invadiu o muro de uma casa e atropelou pai e filho que estavam dentro da piscina. Dentro da piscina, mãe!

E essa é uma realidade dura pra você, como mãe, saber: aquela pessoa que você passou quase 11.500 dias cuidando, alimentando e protegendo pode não signifcar nada pra outra pessoa com um carro em alta velocidade que vem e destrói, em três segundos, quem você pariu. O motivo, acredite você ou não, é dos mais bestas: a pessoa tinha pressa. Ponto. Acontece, mãe, acontece. É preciso ter um certo desprendimento nessa vida.

Continuação:

http://colunas.revistaepocasp.globo.com/nabike/2012/07/19/o-mae-to-de-capacete/#comment-653

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