Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

Arquivo para o mês “fevereiro, 2014”

Vivendo o Básico

No inicio do do século 20 Liev Tolsoi descreveu em seu livro “O Reino de Deus está em Vós” sabiamente três fases da humanidade: a fase selvagem, a fase da lei, e a fase do Amor. O Pe. François Varillon em seu livro “Alegria de Crer, Alegria de Viver” genialmente descreveu a mesma coisa de forma atemporal: há homens que vivem selvagemente; há os que vivem apenas obedecendo a lei; e há outros que vivem para amar. Ou seja, vivemos o básico que é comum a todos, quando bebês só queremos saber de comer e dormir e isso é básico e suficiente. Nessa fase a luta é apenas para nos mantermos vivos e sobreviver, mas ao passar do tempo cabe a nós decidir se vamos continuar viver como bebês sobrevivendo ou levando vida. Se importando com nos mesmos ou com os outros.

Quando vivemos o básico o “bom dia” é sacrificante, o lugar no ônibus é sempre meu, e o sorriso ao próximo é uma demonstração de fragilidade. Os olhares são desconfiados sobre as pessoas estranhas, onde a pessoa desconhecida é empecilho em potencial e dificilmente um amigo em potencial. Quando vivemos o básico o outro é um oponente e um adversário e não um parceiro. Quando vivemos o básico achamos que nosso papel é ser servido e não servir.

Quando vivemos o básico não nos importamos se nossas atitudes individuais trazem más consequências para o coletivo e seu futuro, porém quanto ao nosso próprio futuro sempre pensamos “quanto mais ganhar e acumular hoje melhor, afinal não se sabe o dia de amanhã e se compartilhar com outros menos terei para mim”. Agimos assim por que somos inseguros quanto ao “amanhã” e a “garantia” de segurança material nos alivia, e issofaz com que muitos vivam atrás de uma “estabilidade” q

Vivendo o básico o pensamento egoísta é sobrevivência e o pensamento coletivo é perda de tempo e desperdício.

Quando vivemos o básico o Eu é que importa os outros são apenas outros, a minha vida importa a de outros nem são vidas. Vivendo o básico a dor e o sofrimento humano não importa, e se a dor e o sofrimento não for humano ela nem existe. Quando vivemos o básico a dor do outro pode ser ignorada e não conseguimos entender que somos apenas um.

Quando vivemos o básico sempre achamos desculpas e nos isentamos de responsabilidades, o erro está em qualquer um mas nunca em nós.

Quando vivemos o básico por desconhecimento tentamos alcançar o inalcançável e faz com estejamos frustrados e sempre queiramos mais. Se vivemos o básico o que importa é chegar objetivo e não os meios para isso.
Quando vivemos o básico temos a opinião formada e imutável, sendo desnecessária a autocritica e reflexões.

Quando vivemos o básico o estar satisfeito com o trabalho ou salário é comodismo, o desejo é sempre ter mais independente de necessidade.

Quando vivemos o básico a matéria e as posses é o que importa, e o entendimento e olhar para nós mesmos é perda de tempo.

Quando vivemos o básico é impossível ser grato, achamos que todas as conquistas são méritos próprios, e só sou grato a mim mesmo.

Quando vivemos básico nossa vida é mais importante que qualquer coisa, vivendo o básico o sacrifico é impensável.

Quando vivemos no básico o meu conforto é mais importante que a sua vida.

Vivemos o básico muitas vezes quando o essencial nos é negado e quando vivemos sobre ameaças. Mas com o essencial satisfeito o conforto se torna elementar e “necessário” e  sem amadurecimento tudo se torna uma ameaça para o conforto conquistado, que passa a ser o novo básico. Assim vivemos lutando contra as ameaças que pode ser resumidas em “o outro”.

Quando do vivemos o básico não reconhecemos nosso próprio valor, apenas se sobrevive. Amar a si mesmo é impensável, o que torna impossível amar o próximo. Quando vivemos o básico Amor ou amar é engraçado, é utópico, é démodé, ou ridículo; ri-se dos estranhos que tentam amar. Amar, quando vivemos o básico, é fraqueza dos que não querem sobreviver a qualquer custo, assim vivemos de qualquer maneira. Quando vivemos o básico não enxergamos que vida sem amor é o mesmo que a morte. Amor é ser livre de nós mesmos e liberar o amor atrofiado que todos temos e guardamos quando vivemos o básico, ou por desconhecimento ou por medo.

E a vida é tão difícil para algumas pessoas que muitas vivem apenas no básico, não são ensinadas e também não tem a inquietação para que procurem o que há alem do básico, além da superfície.
Mas ainda assim acredito que é uma questão de escolha, todos temos problemas, uns mais outros menos, e se quisermos achamos desculpas para nos comportar como quisermos.

Que eu possa deixar de viver o básico por que para isso só depende de minha escolha

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