Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

Arquivo para o mês “março, 2014”

No dia em que eu morrer…

No dia em que eu morrer conhecerei a verdade
Não só apenas sombras e dúvidas… Mas certeza.

Será que tudo que achei errado é o certo?
E o amor não é a verdade é o caminho?
Isso é o que menos importa, o que importa é que o melhor foi feito a partir da tentativa de entender o que é bom que contra e além do egoísmo e da baixa autoestima.

Ninguém te impede…

“Eu não consigo!…”?

Ninguém te impede, ninguém…
Se você acha que alguém ou alguma coisa te impede de fazer algo é hora de olhar para si mesmo para reconhecer e enfrentar os medos que te param e te impede de viver tudo o que poderia. Quando um medo nos controla e dita nossas ações podemos dizer que naquele momento houve desperdício e fomos covardes…

Davi Grande Coração Santos

Domingo 10 de março de 2013, minha mãe me liga nervosa perguntando onde eu estava e se estava bem. Na sequência ela me conta uma das coisas mais chocantes que já ouvi na vida, ela me disse que um ciclista tinha sido atropelado na Avenida Paulista porém ele não tinha morrido, mas no impacto o seu braço havia sido arrancado e ficado preso no carro e tinha sido levado, o criminoso simplesmente decidiu não parar. Chorando ela ainda me contava que a policia e bombeiros estavam a procura do braço para fazer o reimplante, já que ainda havia tempo, Davi estava a espera no hospital. Aqueles foram momentos tensos. Porém não foi possível o reimplante, obraço de Davi, como uma coisa, foi jogada em um rio e nunca foi encontrado.

Em lágrimas como mãe e humana, a minha mãe imaginava o que o rapaz e principalmente sua mãe estivesse sentindo.

Os dias passaram Davi estava no hospital, vimos muitas reações em jornais e do público, principalmente de pessoas que lutam pela humanização da cidade. Alguns queriam violência e ferir o criminoso, talvez “dar o troco” outros não acreditavam na violência, e muitas vezes foram recriminados por isso, entre eles estava eu. Foi nesse período que conheci pessoas especiais e que admiro até hoje como André Biuka, que era massacrado por suas opiniões não violentas.

Me recordo naquele período do medo que tive de que Davi Santos desejasse ou apoiasse a violência contra seu agressor como muitos sugeriram: agredir, ira a casa de Siek, entre outras coisas, o que desumanizaria a luta de muitos pela humanização da cidade. Isso iria diretamente contra o que a bicicleta é.
Na semana seguinte fizemos um protesto, nesse dia chuvoso fizemos uma caminhada da praça do ciclista até o local do acidente junto a alguns familiares de Davi como mãe, tios, primos e irmãos. Após chegarmos ao local do acidente fomos até a casa do Haddad onde protestamos e pedimos ações para humanização da cidade, o que gerou alguns bons frutos.
Nesse dia eu conheci o Bruno, irmão de Davi, um rapaz simples, de fala calma e pacifica, lhe perguntei o estado geral de Davi o que ele respondeu que estava bem. Ele disse que a família não guardava raiva mas indignação e queria justiça o que me trouxe paz e alivio. Me impressionou ele vir de Diadema, na chuva e com uma bicicleta recém comprada, como muitos outras pessoas que vinham de outros tantos lugares, senti ali que não havia pessoas lutando por seus interesses individuais mas pessoas lutando pelo bem coletivo. Dias antes ouvi de uma sobrinha de Davi que a família era muito unida e que eles era muito fortes, e realmente foi comprovado pelo que vi.

Nesse ano após o acidente as atitudes de Davi me impressionaram. Alguns meses depois lembro dele lamentando de seu agressor não ter ido visita-lo, perguntado de seu estado de saúde e ajudado; recordo do Davi dizendo que perdoava seu agressor e a ultima que sobre ele ser obrigado a deixar a sala de julgamento devido a seu agressor não se sentir a vontade com sua presença. Nesse dia Davi afirmou que queria ouvir a versão dos seu agressor e entende-lo, esse caso até me inspirou as seguintes palavras:
“O amor coage os sem amor, como a luz ofusca os olhos dos que vivem a escuridão.
O perdão envergonha os amargurados e os que não se arrependem.
A tolerância busca respostas e não julgamentos.
A coragem assusta os covardes, e a busca pela Verdade, o Amor e a Vida dá força a todos que querem seguir o Caminho, mesmo quando há contratempo…”

Davi se decepcionou por esperar algo que ele acha natural ao ser humano, perdoar, se preocupar, entender; são atitudes nobres o que ainda parece ser impossível por seu agressor Alex Kozloff Siwek.
Apesar de não conhece-lo pessoalmente Davi, com seus 22 anos, é uma pessoa que me inspira como outros grandes homens, com sua tolerância, compreensão, perdão, respeito e amor.

Hoje não é nem Domingo – Pérolas

Pedalando na Avenida Cruzeiro do Sul em um sábado pela faixa de ônibus um carro fica atrás de mim pressionando para passar. Ao perceber eu pedi que o mesmo me ultrapassasse sinalizando e esticando o braço a minha esquerda. Ao pararmos nos semáforo o mesmo solta a pérola:

-O que você está fazendo na rua, hoje não é Domingo.

Informe aos motoristas:

-bicicleta pode ser usada na rua e avenidas como qualquer meio de transporte em TODOS OS DIAS. Artigo 58 CTB

-a prioridade é da bicicleta devido sua vulnerabilidade, ou seja, para que se preze a vida. A mesma prioridade deve ser dada ao fazer conversões a direita: esperar a bicicleta passar ou entrar na frente da bicicleta com folga. Artigo 58 CTB

-se ultrapassar mudar de faixa ou mantenha 1,5m de distância, devido a leveza da bicicleta a mesma se desestabiliza mais facilmente que as motos por exemplo em casos de buracos e pistas irregulares. Artigo 201 CTB Além disso se você se manter atras de uma bicicleta mantenha distância segura para, no caso de queda, haja distância suficiente para o veículo automotor que é pesado parar. Artigo 192 CTB

Lembre-se:

Dar prioridade aos vulneráveis como pedestres e cilistas não é sinal de fraqueza, é sinal de humanidade

Navegação de Posts