A Pena: A Morte

O que ela queria é amar, e com sua bicicleta todo dia deixava um rastro de amor. E ela ia, despercebida por seu silencio e pela poluição que não produzia, as pessoas não percebiam em suas vidas apressadas o rastro de amor…

Ela acreditava que assim aproximava as pessoas, sem vidros, sem carcaças metálicas: pessoas ao invés de objetos.

E ainda plantava árvores, não sujar e ser inofensiva  não era suficiente, ela queria ar puro onde muitos sujam, ela queria apaziguar onde muitos se agridem, e aproximar pessoas onde só se quer distância.
E assim amando ela ia pela avenida, mas ela pagou um preço por agir diferente.

Pedalando, pacifica, indefesa e entregue, era sua escolha não se proteger com armaduras nem se armar para ferir ou matar como algumas pessoas que escolhem curar ao ferir.

Como uma Satiagrahi sem agredir ela foi brutalmente agredida, mas diferente do que muitos pensam não foi a toa.

Essa foi sua pena por amar… “Pena de morte a ela” pensam os donos da rua que dizem “A culpa foi dela por andar na Avenida Paulista”

Sua morte envergonha os brutamontes e covardes, os egoístas preguiçosos e apressados, os de alma fraca protegidas por caraças que ferem, matam e ainda os impedem de viver.

Eles acham que não é com eles e muitos não entendem, mas amanhã entenderão.

E suas lágrimas cairão com dor e sofrimento, por não ter mudado a tempo, nessa carnificina onde todos temos culpa. Quantos tantos outros serão assassinados?

A toa? Com certeza não. Quando amamos não vivemos a toa e não morremos a toa. Viver e morrer é apenas mais uma oportunidade. Os erros são novas oportunidades de crescer no amor, viver é oportunidade de amar, e  morrer é a última delas. E lamento é viver sem amar e não a morte, deve-se lamentar o tempo que desperdiçamos sem amar.

E assim Julie não morreu, Julie Vive, e como o amor que ela espalhava, não sei se consciente, ela nos ensina ainda hoje nos fazendo refletir, e inspirando a continuar, na forma como tratamos a cidade e as pessoas, ou nos inspirando a escrever e refletir, para que o amor continue, e vai continuar. Todos a condenamos a morte, e ao mesmo tempo todos condenamos a nós mesmos. Se um um dia entendermos isso perceberemos que ela não morreu a toa.

Eu não a conheci pessoalmente, mas reconheço e entendo seu amor, sua luta, sua indignação e todos os dias a vejo no rosto das pessoas que andam de bicicleta e que lutam por fazer uma cidade e um mundo melhor…

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4 comentários em “A Pena: A Morte

  1. A luta tem que continuar!
    Não vou desistir de aprender a pedalar e tentar plantar um pouco de amor como a Julie fez!
    Wagner Hirata…emocionante!
    Parabéns! 🚴🚵🚴🚵🚴🚵🚴🚵

  2. Conversei uma vez com a Julie e ela me encorajou tanto a pedalar,falava com amor mesmo,acreditando na mudança,num mundo melhor de verdade,vi que vinha do coração.
    Tão bom é poder sentir pessoas verdadeiras como senti naquele dia.
    Até se propôs a me ajudar conseguir uma bike no Biketour,me disse que a dela ganhou no sorteio.
    Não desisti de pedalar ,fiquei assustada com o acontecido.Juro.
    mas não podemos ceder ao medo e nem deixar de acreditar num mundo melhor.
    Que Julie esteja em paz e orgulhosa de seus amigos que continuam pedalando e lutando!!!

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