Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

Arquivo para o mês “agosto, 2014”

Desarmemos as pessoas de bem

Assustador ver pessoas e bem dizer que tem vontade de atropelar ciclistas, aí se vê veículos transformados em armas.
Será que como ciclistas e pessoas que não são de bem geramos um incomodo tão grande que merecemos a pena capital?

Opto por não ser uma pessoa de bem. Pessoas de bem espumam de raiva ao ver pedestres fora da faixa; por ver populares em “seus” aeroportos; acham absurdo pessoas que não obecem as leis, mesmo que essas leis vá contra a Vida; espumam por não terem seus interesses individuais atendidos; ficam surdos quando lhe dizem a Verdade; e, o pior, acham inaceitável ser tratado de forma igual e não ter vantagem sobre as pessoas que não são de bem. Quando a pessoa de bem é contrariado em opiniões e interesses o “bem” pode não ser tão bem assim.

Ciclistas, não existais…

Ciclistas, não passem o farol vermelho mesmo se não tiver ninguém vindo e nem antecipe o farol verde.
Certeza absoluta que o motorista que está atrás de você vai esperar pacientemente para mudar de faixa para ultrapassá-lo e sempre com 1,5m de distância lateral; e na impossibilidade de fazer isso ele esperará pacientemente atrás de você sem buzinar, acelerar ou dar farol alto até o momento oportuno.

Certamente eles seguem a lei e você também deve segui-la. Não precisa temer por sua vida.

Caso ainda tema por sua integridade física, apesar dos corações amorosos dos que comandam os veículos-arma, encoste e deixe-os passar. E haja como eles querem: como se você não existisse.

#BikeELove

Homem Livre

Um dia

Quem sabe eu seja um mendigo
Talvez assim eu possa dizer que vivo
Sem nada a ninguém dever
Pode crer

Sem horas para acordar
Sem contas a pagar
Viver realmente a vida
Como nunca vivida

Prefiro compartilhar
Do que com o material me preocupar
Se eu me preocupo no “ter”
Isso vai meu coração endurecer

Tranquilidade está tão longe de mim
Tenho preocupações sem fim
Não quero lamentar
Quero de tudo me livrar

Se quero ao amor me dedicar
Do material vou me despegar
Quero a liberdade
Por que tudo que me desvia vai contra a Verdade

Humanizar, esse é o papel da igreja

Querido Ricardo,

Chegou um novo tempo e nós, como igreja, precisamos nos posicionar com firmeza. Hoje nossa cidade está dividida entre, de um lado, os privilegiados que combatem qualquer forma de humanização do espaço urbano e do outro estão os que tentam humanizá-la e que lutam para que não haja cidadãos com mais direitos do que outros. Esses querem transformar nossa cidade em uma cidade mais humana, ou seja, uma cidade para pessoas e, como é esperado, tem ocorrido resistência pois essa mudança afeta muitas pessoas e detentores de privilégios, como sabemos isso acontece no mundo inteiro quando se tentam mudança.
A Betesda é a minha igreja, eu a escolhi por ela ser diferente da maioria e realmente pregar que o cristão deve buscar a sua humanização e consequentemente a semelhança ao humano perfeito que é Jesus, como foi descrito por Francois Varillon no livro que você mesmo indicou “Alegria de Crer, Alegria de Viver”. Essa busca real de seguir Cristo culmina necessariamente em grandes desafios, seja nós como indivíduos em nossa abnegação diária do nosso egoísmo ou como igreja ensinando e nos posicionando.
Acredito que concorde que nós como igreja temos que nos posicionar sempre a favor do Amor, da Vida e da Humanização. Claro que cada um de nós individualmente tem as próprias competências, gostos, preferências e espcificidades e com o autoconhecimento focamos nossas forças em certas áreas da vida. Eu pessoalmente optei pela luta, ou pela causa, da humanização do mundo pela cidade, e claro que começando por São Paulo.
Chegamos a um momento que a humanização da cidade hoje tem grandes desafios, os quais eu vou citar alguns. Não sei se já ouviu falar no fenomeno “Gentralização” o que se resume a tirar a população de menor poder aquisitivo do centro e colocá-la nas periferias. Esse fenômeno histórico ocorre de diferentes formas com exemplo através da especulação imobiliaria; destruição de casas para construção de grandes empreendimentos que isolam as pessoas e acabam com a vida comunitária e da rua o que indiretamente aumenta o individualismo das pessoas.
Assim desde cedo temos cometido muitos erros durante o crescimento de nossa cidade. Na década 20 começou o alinhamento do rio Tietê e Pinheiros o que acarretou nas inundações na região e afetou toda vida que havia ali. E com modelo de desenvolvimento baseado na idéia americana do carro como icone de sucesso pessoal e de conforto, que podemos afirma que é uma idéia bem neopentecostal, tiramos os bondes que são menos perigosos e poluentes que os carros; alargamos ruas para carros e diminuitmos calçadas; e um dos piores erros foi fazer avenidas nas margens dos rios e canalizando muitos deles.
Pouca gente sabe mas a Avenida Nove de Julho e 23 de Maio estão sobre rios canalizados, esses são exemplos os quais a prioridade em servir as pessoas é substituída pela estrutura para o funcionamento das máquinas e o falso conforto que eles nos proporcionam.
A especulação imobiliária começou cedo e no pósguerra com o crescimento de São Paulo e do Brasil e na necessidade de mão de obra, os emigrantes sem opção de moradia próxima a seu trabalho formaram as periferias conhecidas antes áreas rurais como na zona sul como Santo Amaro e zona leste como Itaquera ou Cidade Tiradentes. Essas áreas se tornaram muito populosas porém sem infraestrutura nem serviços públicos. E nós vemos as consequencias disso hoje com a população dessas regiões que, apesar de melhorias, ainda sofrem principalmente com problema de mobilidade.
A qualidade de vida é ligada diretamente ao tempo livre das pessoas, ao invés de gastar horas em tranposte público ou em carros pode significar perda de tempo com família, lazer, esportes, etc. Claro que a bicileta não é a única solução mas junto com o transporte público simboliza a humanização da mobilidade em qualquer cidade. Não sei se ouviu falar na frase “sociedade humana não é a sociedade a qual todos tem uma Ferrari ou um carro, mas a qual todos tenham transporte de qualidade”.
A luta pela humanização e, especificamente mobilidade, tem enfrentado hoje grandes desafios com as pessoas que são contra a construção das ciclovias, o que é muito representativo pois significa, por exemplo, retirar o espaço público reservado a um carro parado para uma mobilidade viva e não poluente além de muitos outros benefícios (para mim é amor puro). Essa mudança exige um pouco de altruísmo e que pensemos em outras formas de locomoção e estilo de vida.
Queremos uma cidade para se estar não apenas para se passar. A vida como passagem é apenas uma vida que não é vivida: come-se para se satisfizer, trabalha-se para ganhar dinheiro, move-se para chegar. Devemos diminuir as distancias unindo trabalho e residência a qual a vida se completa e não separada por horas de congestionamento.
O centro de São Paulo deve continuar a ser entregue as pessoas como tem acontecido quando se toma os prédios abandonados de especuladores e os entregam a quem precisa. O centro deve ser ocupado pelas pessoas inclusive, e principalmente, os de renda mais baixa já que são os que mais precisam dos serviços públicos e estrutura oferecida nessa região. Não devemos fazer do centro um shopping ou complexo empresarial para poucos privilegiados. Quando isso ocorre voltamos aos velhos erros do século passado.
Neste contexto o que peço é que nos posicionemos como instituição e assim cumpramos nosso papel de humanizar. Assim seremos ferramentas Dele que trazem a paz e não a violência; que aproxime as pessoas e não as afaste com estilo de vida que as distancia através de parabrisas ou os conhecidos muros dos condomínios ou prédios fortaleza.
Precisamos dessa proximidade para que nossos irmãos tenham o Reino dentro deles, peço pois sem o outro eu não consigo ter o Reino de Deus em mim. LC17,21

Navegação de Posts