Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

Arquivo para o mês “agosto, 2016”

​Cão de Rua

Era um dia como outro qualquer, um cachorro sujo e machucado andava perigosamente pela movimentada avenida. Os motoristas apressados desviavam e buzinavam, mas hoje parece que aconteceria algo especial.

De um prédio em frente a avenida sai uma criança, parece ter uns 5 ou 6 anos, que corre para o meio daquela via, ela se desespera vendo os perigos que o cão passava. 
Logo após a criança saem do prédio, tentando alcançá-lá, mãe e pai desesperados que gritam, ainda antes da criança ocupar a avenida, para ela pare. Ignorando castigos e punições ela chga perto dos cães com medo não os toca, apenas os protege. Ela queria ficar perto, ela queria protegê-lo, ela queria levá-lo para casa. Os carros buzinam perigosamente, agora o obstáculo eram dois. 
Pelo bem da filha o pai pega-a que agora chorava pensando no cãozinho, sem conseguir controle sobre a criança a menina escapa do braço do pai que não vendo outra saída auxilia a filha a proteger o cãozinho. Observando agora, além de apenas a própria filha, o pai e a mãe que gritam para os veículos se afastarem reparam que eram dois animaizinhos. Uns veículos passavam perigosamente outros com cuidado mas os pais estavam de olho na filha e nos cães até que com sua atitude de zelo param totalmente o trânsito. 
Com aquela “bagunça” na conhecida e movimentada avenida logo chegam policiais para liberar o trânsito e um helicóptero que passava para dar notícias do trânsito também ficou por ali a filmar e juntavam-se multidão curiosa. Com o trânsito parado os policiais conversavam com os pais mandando que eles saíssem rua para que o trânsito pudesse fluir. Os pais falaram que só poderiam sair dali se a zoonoses pagassem os cães e os levassem com segurança. Quando o policial avisou que a zoonoses já aviam sido chamados o pai repara que um dos cães estava no chão machucado, ele tinha sido atropelado.
O pai preocupado, agora despertado, corre em direção ao cão de rua machucado e com carinho envolve o pequeno ser vivo em sua blusa. O cão fica silencioso, quase imóvel, só se percebe sei respirar; era totalmente diferente do ser agitado e perdido na avenida que lutava pela própria vida.

Logo chega o caminhão da zoonoses, o policial incomodado com as reclamações sonoras dos carros parados fica aliviado: vão pegar o outro cão, levar o machucado e, finalmente, vão liberar o trânsito após infinitos e intermináveis minutos. 
O pai entrega cuidadosamente o cão a zoonoses, conhecida vulgarmente como carrocinha, o trabalhador tocado pela indiferença da rotina pega o ser vivo e joga sem cuidado algum na caçamba do caminhão.

O animal acostumado com o sofrimento, a dor, a fome e a indiferença, após os poucos e únicos segundos sente o que é carinho em sua curta existência.
A criança de longe nos braços da mãe na avenida vê a cena e chora.

Agora os veículos voltaram a circular, e a vida voltava a seguir como devia ser: apressada, indiferente e indigna para quem não pode pagar por ela…

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​Desculpa?…

Voltando meus diários 7,5Km para casa, antes tão radicais entre motorizados e agora tão tranquilos, sendo mais da metade do caminho por ciclovia, tenho privilégio de obrigatórios encontros humanos, que muitas vezes me surpreendem. Não posso, não quero me dar o direito de ser indiferente, de fechar os vidros, de olhar para o “outro lado”. Sob a ciclovia temos permanentes encontros de vidas, encontros de frágeis, encontros que nas ruas entre os tão mais assustadores são apenas tentativas, poucas vezes alcançadas…

Hoje, porém foi diferente, seguindo tranquilamente pela ciclovia na Cruzeiro do Sul uma senhora vinha a pé em minha direção, na mesma faixa, algo absolutamente frequente e normal, sem nenhum outro ciclista na via mudo de faixa para passar por ela. Esforço-me para que o contato sejam sempre positivo, uma oportunidade para um “oi”, “bom dia”, um “opa” ou um cumprimento corporal, velocidade adequada para não parecer ameaçador e uma cara receptiva, mas desta vez não foi suficiente, acredito que por educação ela falou “Desculpa”, e eu me envergonhei. Só deu tempo para falar “não tem problema, você é bem vinda”, e fui embora pensando…
Não precisava daquele “desculpe”, ela não tem do que se desculpar, aquele espaço não é meu é nosso, não é a questão de ordem ou do lugar que cada um deve estar mas de Vida. Poderia ser uma pessoa a pé na Marginal, um ciclista em uma avenida movimentada, a sua vida é muito valiosa e deve ser respeitada. Ele não merece morrer, apenas a sua existência o faz importante, tudo mais é menor, é secundário: a pressa, o direto, a lei, o poder, o dinheiro, o conforto; nada que se tenha ou que se é permite e justifica ninguem a não priorização da Vida.
Pensei quando aquele pedido de desculpas é necessário: quando um motorista dá fina “educativa” no ciclista, quando o ciclista é ameaçado com um veículo acelerando atrás dele; queria um pedido de desculpas quando aquele motorista encostou seu carro em minha bicicleta quando eu parei de andar com ele buzinando e acelerando sobre mim, se aquele nobre pedido fosse pedido eu me sentiria mais seguro, mais protegido, importante. Mas o pedido de desculpa é necessário quando na rua, ou fora dela, o palavrão ou falar alto é usado para fazer com que aquele irmão se sinta indesejado, também é necessário quando o pedestre é ameaçado ao atravessar a faixa ou ameaçado quando não teve tempo de atravessá-la; também quando o ciclista ameaça o pedestre, quando o pedestre não ajuda à velhinha ou o cadeirante quando eles precisam, quando se estaciona sobre as vagas especais de idosos, gestantes, ou idosos. Mas para essas desculpas é necessário um despertar, um abrir de olhos.
A desculpa é necessária quando o Amor não é dado, assim se pode tentar novamente e novamente…

​Feliz dia dos Pais

Parabéns aos pais, duas vezes parabéns as mães que são pais também.

Duas, três, quarto vezes parabéns as mães que são mães e pais, que saem do trabalho quando precisam acudir um filho; quando não tem o direto do suporte da pensão de seus filhos e arca com tudo; que não tem com quem deixar os filhos e tem que fazem a aqueles malabarismos que só elas sabem… 
Parabéns as mães que apesar de tudo tiram forças de onde parece não existir mais para ensinar os filhos que não devem ficar magoados.

Parabéns pelo Amor…

E se

Ouvindo uma pessoa falar que poderia fazer melhor…

Será que ela teria tanto amor para fazer melhor?
Você já pensou?

E se eu pudesse tudo…

E se eu pudesse acabar com toda dor e maldade?

E se eu pudesse fazer com que ninguém ferisse ninguém?

E se eu pudesse fazer ninguém agisse com egoísmo?

E se eu pudesse tirar essa humanidade: o poder individual de cada um decidir?

E se eu pudesse acabar com a liberdade?

E se eu pudesse transformar todo mundo em apenas robôs ou seres que agem de forma automática?

E se cada atitude ou desejo não dependesse de cada um mas de uma decisão “superior”?

E se eu pudesse impor que todos sejam bons?

E se eu pudesse impor que as pessoas se amem e se tratem como irmãos?

E se o amor fosse uma obrigação ele seria legítimo?
Seria isso amor?

Estaria eu amando?

Haveria Amor?

Haveria Liberdade?

Certamente não haveria pensar e refletir, amadurecer, humanizar. A vida seria apenas uma obrigação…

Caminhos e futuros traçados e previstos…
Não há imposição. Somos o melhor que nossa liberdade e escolha como humanidade pode ser.

Gratidão pelo modelo e pelo contra exemplo, pelas boas e más decisões, pelo que me inspira e pelo que me enoja. Tudo é fruto e variações de nós mesmos.

Nossa imperfeição é de certa forma perfeita.
Não existe: como poderia ser. Existe: como podemos ser pelas nossa atitudes. A escolha já nos foi dada.
Muitos tentarão impor com enganos (propaganda) ou pelo medo suas vontades e interesses sobre nós mas a decisão mais importante e final é nossa, cabe a nós assumirmos a responsabilidade é seguir o caminho independente da “manada” baseado em nosso autoconhecimento, e ele só vai levar a uma direção: o Amor.

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