Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

​Desculpa?…

Voltando meus diários 7,5Km para casa, antes tão radicais entre motorizados e agora tão tranquilos, sendo mais da metade do caminho por ciclovia, tenho privilégio de obrigatórios encontros humanos, que muitas vezes me surpreendem. Não posso, não quero me dar o direito de ser indiferente, de fechar os vidros, de olhar para o “outro lado”. Sob a ciclovia temos permanentes encontros de vidas, encontros de frágeis, encontros que nas ruas entre os tão mais assustadores são apenas tentativas, poucas vezes alcançadas…

Hoje, porém foi diferente, seguindo tranquilamente pela ciclovia na Cruzeiro do Sul uma senhora vinha a pé em minha direção, na mesma faixa, algo absolutamente frequente e normal, sem nenhum outro ciclista na via mudo de faixa para passar por ela. Esforço-me para que o contato sejam sempre positivo, uma oportunidade para um “oi”, “bom dia”, um “opa” ou um cumprimento corporal, velocidade adequada para não parecer ameaçador e uma cara receptiva, mas desta vez não foi suficiente, acredito que por educação ela falou “Desculpa”, e eu me envergonhei. Só deu tempo para falar “não tem problema, você é bem vinda”, e fui embora pensando…
Não precisava daquele “desculpe”, ela não tem do que se desculpar, aquele espaço não é meu é nosso, não é a questão de ordem ou do lugar que cada um deve estar mas de Vida. Poderia ser uma pessoa a pé na Marginal, um ciclista em uma avenida movimentada, a sua vida é muito valiosa e deve ser respeitada. Ele não merece morrer, apenas a sua existência o faz importante, tudo mais é menor, é secundário: a pressa, o direto, a lei, o poder, o dinheiro, o conforto; nada que se tenha ou que se é permite e justifica ninguem a não priorização da Vida.
Pensei quando aquele pedido de desculpas é necessário: quando um motorista dá fina “educativa” no ciclista, quando o ciclista é ameaçado com um veículo acelerando atrás dele; queria um pedido de desculpas quando aquele motorista encostou seu carro em minha bicicleta quando eu parei de andar com ele buzinando e acelerando sobre mim, se aquele nobre pedido fosse pedido eu me sentiria mais seguro, mais protegido, importante. Mas o pedido de desculpa é necessário quando na rua, ou fora dela, o palavrão ou falar alto é usado para fazer com que aquele irmão se sinta indesejado, também é necessário quando o pedestre é ameaçado ao atravessar a faixa ou ameaçado quando não teve tempo de atravessá-la; também quando o ciclista ameaça o pedestre, quando o pedestre não ajuda à velhinha ou o cadeirante quando eles precisam, quando se estaciona sobre as vagas especais de idosos, gestantes, ou idosos. Mas para essas desculpas é necessário um despertar, um abrir de olhos.
A desculpa é necessária quando o Amor não é dado, assim se pode tentar novamente e novamente…

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