Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

Merecimento

​Merecimento, ouvi falar que quem tem mereceu, ou seja, quem não tem não trabalhou?
Propaganda, ferramenta da ilusão: Malcolm X falava que a propaganda (mídia) faz o inocente parecer culpado e o culpado inocente, o mau bom e o bom mau; Luther King Jr falava da cegueira causada pela propaganda e da falta de vontade das pessoas em refletir. Fala-se: “é errado roubar”, mas a institucionalização e a propaganda faz o roubo ser permitido, aceitável, justo, moral e legal, depende por quem, liberado aos detentores do dinheiro e poder. Por Amor: desiludi-vos… Desilusão é algo a buscar não evitar, é parte do processo na busca da Verdade.
Nem falo sobre corrupção, o exemplo maior é a Inglaterra e suas qualidade de vida, seus altos salários, os grandes monumentos que enojaram Luther King Junior em sua vista a terra da rainha em 1964. Talvez essa seria a mesma reação de um trabalhador após tanto suor ver o ladrão que lhe rouba, e rouba seus irmãos, rico, feliz e impune. Então surge o sentimento de revolta, mas para abrandá-lo a propaganda através das mídias e de seus repetidores defensores do Status quo.
Justificam: “mas é merecida a riqueza dos ricos, a pobreza dos pobres”, seja quando se fala de indivíduos ou de países, inventam explicações mais absurdas falando que alguns povos são preguiçosos, amaldiçoados, burros, etc, jogam uns contra os outros como uma brincadeira, criam rivalidade; exemplo é a Guerra do Paraguai. As leis protegem seus atos, claro que “merecidamente”, afinal as leis são criadas por eles e para eles. Fazem Lobby, pagam políticos para que as leis lhes beneficiem, eles lutam por dinheiro, pelo conforto, pelo poder, isso “dá trabalho” por isso se afirmam “merecedores” de tudo para os outros nada, aos outros: migalhas. E os controladores das leis tem seus soldados para por na linha os que pensam demais, se organizam, contestam. Eles são os defensores da regra que lhes previlegiam e lhes protegem, os soldados do status quo, os guerreiros dos ricos que lutam contra os marginais, contra quem não pode e quem não tem, que dariam até a vida para que a “ordem”, o silêncio e o medo opressor impere. Como disse Galeano: Quando não há compaixão: polícia…
Em séculos passados o Reino Unido cobravam seus créditos com os devedores, Portugal e Espanha, através de vantagens nas negociações, ouro, açúcar, etc, e tudo legalmente. Esses processos “justos” e “legais” culminaram na escravização de índios e negros, mortes e sofrimento de milhões. Mas os frutos dessa exploração vemos até hoje tantos nos países explorados, com sua atual pobreza e desigualdade, como na sociedade inglesa que são tão bem vistos, invejados e admirados por muitos, menos para outros como Luther King Junior.

Quanto a empresas, multinacionais ou não, elas empobrecem e exploram populações, comunidades e países, sobre a propaganda e legitimização do ideal do progresso e consumo. Exigem custos baixos com mão de obra explorada e incentivos dos governos locais com financiamento e subsídios, no fim mal investem nos paises explorados, apenas chegam com algum conhecimento mas muita propaganda. Imediatamente ou após curto prazo sacam todo seu “não investimento” com grandes lucros empobrecendo os paises vitimas, tudo legalmente. Assim fazem mãos baratas no estrangeiro financiar as mãos caras em seus países sede, acham isso lindo, com a maquiagem da propaganda.
Quanto a indivíduos e familias que por gerações com contatos direto com o poder formal enriquecem e obtem privilégios, exploram seus irmãos que com dor de fome mal podem fazer escolhas, mas logo dizem “foi sua opção”. Isso para muitos pode ser conquista merecida, mas para outro é muito claramente roubo. Enquanto uns tem a “sorte” de nascer em familia herdando bens, riquezas legais e merecidas, que com olhos se curados da cegueira pode se ver sangue escorrendo de séculos de exploração e morte, outros tem “azar” de ter que trabalhar, o esforço é a saída legal para matar a fome: a eterna servidão, afinal jamais foram roubados.
Como todo seu luxo e conforto eles não terão paz, serão prisoneiros de seu medo, os desobedientes serão seu martírio e tormento…
O mais importante a ser lembrado é que a propaganda quer nos convencer que você não tem nada mas eles tem tudo e isso é justo, “eles” mereceram, sejam eles países, pessoas ou empresas que suaram se esforçaram para ter o que tem, seja levantando uma espada, acorrentado irmãos, ou uma palavra que condena povos e paises inteiros a morte. Eles suaram para oprimir e matar, para se eleger, se beneficiar e privilegiar, e tiveram êxito, enriqueceram agora tem conforto e danem-se os outros, quem for contra isso é contra a lei, é marginal. A liberdade e a justiça é ameaça para essa sorte de felicidade umbigocêntrica…
A história se repete. Me recordo recentemente os Guarani Kaiowá que ameaçados de ser tirados pelos novos “donos” de suas terras, a BBC noticou: “Os Kaiowá e Guarani falam em morte coletiva (o que é diferente de suicídio coletivo) no contexto da luta pela terra, ou seja, se a Justiça e os pistoleiros contratados pelos fazendeiros insistirem em tirá-los de suas terras tradicionais, estão dispostos a morrerem todos nela, sem jamais abandona-las. Vivos não sairão do chão dos antepassados.” 

Durante a dominação espanhola portuguesa muitos índios se matavam ou matavam seus filhos para que não vivessem o “inferno” da escravidão, ou se mutilavam para não poder trabalhar em condições ão ruins que conseguiam sobrevier poucos anos. Na época o convencimento para que não se matasse, ou não matassem os filhos, vinha da propaganda da igreja do destino pós morte pelo suicídio: o inferno, e que os mutilados viveriam na vida pós morte também mutilados, o que deu certo, eles deixaram de se mutilar e se matar. Hoje a propaganda tenta convencer as pessoas a submeterem ao inferno da escravidão almejando futuro próspero, certamente de exploração de seus irmãos…

Anúncios

Navegação de Post Único

Comente:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: