Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

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​Cão de Rua

Era um dia como outro qualquer, um cachorro sujo e machucado andava perigosamente pela movimentada avenida. Os motoristas apressados desviavam e buzinavam, mas hoje parece que aconteceria algo especial.

De um prédio em frente a avenida sai uma criança, parece ter uns 5 ou 6 anos, que corre para o meio daquela via, ela se desespera vendo os perigos que o cão passava. 
Logo após a criança saem do prédio, tentando alcançá-lá, mãe e pai desesperados que gritam, ainda antes da criança ocupar a avenida, para ela pare. Ignorando castigos e punições ela chga perto dos cães com medo não os toca, apenas os protege. Ela queria ficar perto, ela queria protegê-lo, ela queria levá-lo para casa. Os carros buzinam perigosamente, agora o obstáculo eram dois. 
Pelo bem da filha o pai pega-a que agora chorava pensando no cãozinho, sem conseguir controle sobre a criança a menina escapa do braço do pai que não vendo outra saída auxilia a filha a proteger o cãozinho. Observando agora, além de apenas a própria filha, o pai e a mãe que gritam para os veículos se afastarem reparam que eram dois animaizinhos. Uns veículos passavam perigosamente outros com cuidado mas os pais estavam de olho na filha e nos cães até que com sua atitude de zelo param totalmente o trânsito. 
Com aquela “bagunça” na conhecida e movimentada avenida logo chegam policiais para liberar o trânsito e um helicóptero que passava para dar notícias do trânsito também ficou por ali a filmar e juntavam-se multidão curiosa. Com o trânsito parado os policiais conversavam com os pais mandando que eles saíssem rua para que o trânsito pudesse fluir. Os pais falaram que só poderiam sair dali se a zoonoses pagassem os cães e os levassem com segurança. Quando o policial avisou que a zoonoses já aviam sido chamados o pai repara que um dos cães estava no chão machucado, ele tinha sido atropelado.
O pai preocupado, agora despertado, corre em direção ao cão de rua machucado e com carinho envolve o pequeno ser vivo em sua blusa. O cão fica silencioso, quase imóvel, só se percebe sei respirar; era totalmente diferente do ser agitado e perdido na avenida que lutava pela própria vida.

Logo chega o caminhão da zoonoses, o policial incomodado com as reclamações sonoras dos carros parados fica aliviado: vão pegar o outro cão, levar o machucado e, finalmente, vão liberar o trânsito após infinitos e intermináveis minutos. 
O pai entrega cuidadosamente o cão a zoonoses, conhecida vulgarmente como carrocinha, o trabalhador tocado pela indiferença da rotina pega o ser vivo e joga sem cuidado algum na caçamba do caminhão.

O animal acostumado com o sofrimento, a dor, a fome e a indiferença, após os poucos e únicos segundos sente o que é carinho em sua curta existência.
A criança de longe nos braços da mãe na avenida vê a cena e chora.

Agora os veículos voltaram a circular, e a vida voltava a seguir como devia ser: apressada, indiferente e indigna para quem não pode pagar por ela…

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