Wagner Pensa Hirata

Love and Bike Lifestyle

Arquivo para a categoria “Pérolas nas Ruas”

20 anos em um dia…

Faz alguns anos que tenho participado de grupos para humanizar a cidade, digo: contra racismo, machismo, homofobia, acolhimento de imigrantes, a favor do humano e da vida. Se o Haddad sair vamos regredir muitos anos, não me importo com o PT, mas com o que o Haddad tem feito. 
Se ele não se eleger cálculo que vamos regredir, nós como cidade e referência para o Brasil e mundo, uns 20 anos de respeito e valorização da vida, poderia dizer maturidade como sociedade e porque não de Amor.
Imagina o esforço de 20 anos de sua vida por justiça, igualdade, tolerância ser jogado no lixo… Horas e dias, madrugadas acordados, sem família, deixando trabalho e descanso merecido para segundo plano para fazer algo para o bem de todos, para preservar a vida de próximos, irmaos, filhos, e pais.
É como se em uma eleição eu envelhecesse 20 anos. Não quero somar 20 anos a minha idade, quero o mundo continuando a amadurecer, mais humano, fraternal, com mais amor e cuidado com o próximo.
Por isso eu peço… Por seus filhos, parentes, amigos, amados… Haddad
#Haddad13

Ritmo, Bike e Poesia

​(Você vem me criticar 

Mas não quer me respeitar)
A lei eu só vou respeitar 

Se ela a vida preservar

Toda lei eu vou burlar

Se alguns privilegiar

Os poderosos querem saber?

Eu jamais vou obedecer
Passo sinal vermelho sim, é para a gente sobreviver

Essas leis de motorizados só servem para nos abater

Tudo é calculado 

Para quem está do seu lado (sr. motorizado)

Já viu o tempo do sinal de pedestre

Precisa muita paciência até parece teste

Não estou falado em guerra

Vê se não me erra

A conta é desigual 

Se só um lado se dá mal

Aí do banco quando cê tá sentado

Você não imagina como é desse lado

Muitos aí só querem o conforto

Outros mais cruéis querem nos ver morto
Quem está exposto não está contente

Se corre o risco quase iminente

Ninguém quer ser atropelado

Imagina quem tem o corpo mutilado?

Alguns falam que foi só uma acidente

Mas quem diz isso é totalmente indiferente (pode isso minha gente?)

Tenta se colocar no lugar de quem teve o braço arrancado

O braço levado, e até no rio jogado

Ele podia ser seu amigo, seu chegado

Um parente de sangue ou amigo amado

(E tem gente que fala que foi só um acidente

Como pode ser tão indiferente?)

Tem que ter cuidado

Com o irmão desarmado

Quando estou motorizado

Tudo fica complicado

Até uma porta mal aberta pode ser fatal

Coisa do dia a dia parece banal

Mas esse é um erro que se torna letal

Isso desencoraja iniciantes

Claro, pensam na sua segurança antes
(Transporte ativo ou passivo 

Sabemos qual é mais positivo)
Não sei por que tem que reclamar, se nada vai mudar

Passo no sinal, se não vejo nenhum mal

Avalio muito bem, se no caminho pessoas não tem 

Se vejo carro que não vêm, me adiantar: que mal tem?
(Mas uma ideia forte para o irmão ciclista eu vou dar

Se você ao mais frágil não priorizar

Você age que nem hipócrita e com violência

Como aquele irmão motorizado intolerante e sem decência

Dá margem ao azar

Para um irmão qualquer hora nos matar)

Tem que respeitar, tem que respeitar

Se não depois cê fica sem cara para cobrar

Denunciar, se Organizar, Protestar…
Irmão motorista vou passar uma informação

Coisa importante que por aí não se ensina não

De uns tempos para cá, a cidade começou a mudar

A rua que antes era para todos começou a segregar

As ruas, as distâncias começaram a ser pensados 

Só para os que estão no motorizado

A velocidade aumentou, junto com a indiferença

Pela cidade só se passa, agora não se pensa

Os inimigos da vida pode ser qualquer um

Apressados, desatentos e principalmente o bebum

E quem quer status e um carro comprar

Abra os olhos irmão que uma vida você pode ceifar (levar, acabar)
Mas ao mesmo tempo como em toda sociedade

Muitos pela consciência agem sem maldade

Nesse meio tem até alguns motoristas

Mas agora estou falando é dos ciclistas

Também os irmãos a pé e os que usam coletivo

Agem com consciência e sabem o motivo

Não dá para esquecer os manos da carroça

Reciclam e trabalham salvam nossa joça

É, merece um prêmio o irmão carroceiro

Seu trabalho beneficia o mundo inteiro

Fazer uma cidade mais humana é a intenção

Mas há resistência de muitos que dizem “Não”
Na cidade para sobreviver 

Muita atitude a gente tem que ter

No sinal vermelho ele vai ter que passar

Porque aquele irmão sentado não quer te tolerar

Para quem aperta o pedal para andar

A aceleração é só gasolina para gastar

Para quem é ativo as calorias têm valor

Não vira fumaça, não polui e nem traz horror

Mas para burlar a lei tem que ter condição

Prioridade a vida das pessoas não entra em questão

Se tiver pedestre ou veículo a passar 

Claro que o ciclista vai ter que esperar

Mesmo assim “o do trono” vai reclamar

Provavelmente sua buzina vai apertar (meu ouvido irritar)

Seria exigir demais ele entender

Que existe outras formas de se locomover

Economizar energia uma necessidade uma função

De quem dá suor, sangue e coração

E também para escapar

Daquele irmão que vem nos ameaçar
No começo até tentei

Andar dentro da lei

Mas foi impossível

Eu me senti invisível

Eu era ignorado

Absolutamente marginalizado

“Pior cego é aquele que não quer ver” diz o ditado

Mas desse mimimi o povo já tá cansado

Eles ignoram por opção 

Se afastam do irmão

Violência, Ameaça

Isso é uma desgraça
Na bike dar “bom dia”

É uma sempre uma terapia

Ela te aproximam dos sem chão nem teto 

E isso não é nenhuma obrigação, é muito certo

Sabe aquele mano que você vê na rua?

Ele dorme todo dia com a cara pra Lua

Com o vidro do veículo só pode ignorar 

Mas com a bicicleta humanizadora um prazer é cumprimentar

A cegueira é um problema da nossa sociedade

Hoje vemos como afeta toda a cidade
Fazendo o que a lei dizia

Quando nem tinha ciclovia

Ouvia muita buzinada

Essa era a rotina irritada

E na questão do sinal

Cê vai ver que mal

Quando eu saia junto

Cos manos motorizados

Eu me sentia rechaçado

Como se não tivesse lado a lado

Ele não queria esperar 

Eu na minha velocidade respeitar

O motorista atrás 

Acelerava demais

Ameaça e buzina

Essa não é minha sina

Consciente desobedecer

E a minha vida proteger 

por isso junto não posso largar 

se não ao céu (ou inferno) vou chegar 

por isso o vermelho eu tenho que repensar 

por que meu irmão motorizado pode me ameaçar 
Uns dizem que quem se move ativo deve ser multado

Mas isso é algo além de errado 

Primeiro que para isso começar

Toda a injustiça das ruas teria que acabar

Mudar a política e toda motor-prioridade 

Que tem acontecido em nossa cidade

O pedestre não pode tanto esperar 

Para uma simples rua atravessar

Além disso tem a questão de distância 

Andar até a faixa tem muita relevância 

O velhinho fica cansado 

Só de pensar na faixa ele fica acabado

E depois ainda tem que esperar 

Todo aquele tempo que acabei de falar

E quem esta na bicicleta tem que ser respeitado 

Não pode ter medo de ser assassinado
Então e aí

Tem como garantir?

Fazer uma mãe sorrir?

Fazer os motoristas os vulneráveis respeitar

E as estatísticas de mortes zerar?

Por que se não for para todas as vidas preservar

E dos motorizados as pessoas salvar

Então não tem como julgar 

Aquele irmão que a própria vida quer poupar
E ainda tem uns que querem colidir

Intencionalmente o ciclista ou pedestre punir
Cê quer saber na real o que é impunidade

Não punir quem realmente prejudica a cidade 

Não pode mais quem bebe e dirige 

Não ter a consciência do que faz é um crime

Nem quem anda por ai na velocidade

Não sei para que isso, maior ansiedade

Bate, atropela e mata mas sai ileso

Na certeza que certamente não será preso

E se for pego tem a esperança

Que com o dinheiro resolve pagando a fiança

Acha que pagou pela vida que levou

Mas nem pensa na família que prejudicou

O motorizado desobedece por egoismo 

Mas quem se move ativo desobedece para ficar vivo

É sua escolha se vai querer ser o opressor

Se vai querer agir trazendo o horror

Tem que respeitar seja quem for

Esteja motorizado ou sem motor
Quando assassinaram o Vitão

Suas famílias e amigos gritaram “Não”

Fizeram a campanha “Não foi acidente”

Para despertar uma mente consciente

Mas a opção de muitos ainda é a indiferença

Prejudicar os mais fracos é uma falsa crença
O valor maior deve ser sempre a vida

Quem prejudica o outro é como um suicida

Se você não vê valor no seu irmão

Deixou de aprender o básico da canção 

Lutar pela liberdade não deveria ser diferencial

Esse devia ser o caminho normal

Mas quem busca o bem de todos quase sempre é condenado

Porem na história sempre será lembrado, apesar de massacrado 
Qual caminho você vai querer 

O que O Sistema te fala para fazer? (Não tem que obedecer)

Cada um por si, competição, destruição 

Ou entender que o outro é teu irmão 

Luther King Jr falava da Cegueira

Que para curar temos que lutar a vida inteira

E então vai fazer seu irmão sorrir?

Ou vai agir para criar mais um mártir?

​Desculpa?…

Voltando meus diários 7,5Km para casa, antes tão radicais entre motorizados e agora tão tranquilos, sendo mais da metade do caminho por ciclovia, tenho privilégio de obrigatórios encontros humanos, que muitas vezes me surpreendem. Não posso, não quero me dar o direito de ser indiferente, de fechar os vidros, de olhar para o “outro lado”. Sob a ciclovia temos permanentes encontros de vidas, encontros de frágeis, encontros que nas ruas entre os tão mais assustadores são apenas tentativas, poucas vezes alcançadas…

Hoje, porém foi diferente, seguindo tranquilamente pela ciclovia na Cruzeiro do Sul uma senhora vinha a pé em minha direção, na mesma faixa, algo absolutamente frequente e normal, sem nenhum outro ciclista na via mudo de faixa para passar por ela. Esforço-me para que o contato sejam sempre positivo, uma oportunidade para um “oi”, “bom dia”, um “opa” ou um cumprimento corporal, velocidade adequada para não parecer ameaçador e uma cara receptiva, mas desta vez não foi suficiente, acredito que por educação ela falou “Desculpa”, e eu me envergonhei. Só deu tempo para falar “não tem problema, você é bem vinda”, e fui embora pensando…
Não precisava daquele “desculpe”, ela não tem do que se desculpar, aquele espaço não é meu é nosso, não é a questão de ordem ou do lugar que cada um deve estar mas de Vida. Poderia ser uma pessoa a pé na Marginal, um ciclista em uma avenida movimentada, a sua vida é muito valiosa e deve ser respeitada. Ele não merece morrer, apenas a sua existência o faz importante, tudo mais é menor, é secundário: a pressa, o direto, a lei, o poder, o dinheiro, o conforto; nada que se tenha ou que se é permite e justifica ninguem a não priorização da Vida.
Pensei quando aquele pedido de desculpas é necessário: quando um motorista dá fina “educativa” no ciclista, quando o ciclista é ameaçado com um veículo acelerando atrás dele; queria um pedido de desculpas quando aquele motorista encostou seu carro em minha bicicleta quando eu parei de andar com ele buzinando e acelerando sobre mim, se aquele nobre pedido fosse pedido eu me sentiria mais seguro, mais protegido, importante. Mas o pedido de desculpa é necessário quando na rua, ou fora dela, o palavrão ou falar alto é usado para fazer com que aquele irmão se sinta indesejado, também é necessário quando o pedestre é ameaçado ao atravessar a faixa ou ameaçado quando não teve tempo de atravessá-la; também quando o ciclista ameaça o pedestre, quando o pedestre não ajuda à velhinha ou o cadeirante quando eles precisam, quando se estaciona sobre as vagas especais de idosos, gestantes, ou idosos. Mas para essas desculpas é necessário um despertar, um abrir de olhos.
A desculpa é necessária quando o Amor não é dado, assim se pode tentar novamente e novamente…

Hoje não é nem Domingo – Pérolas

Pedalando na Avenida Cruzeiro do Sul em um sábado pela faixa de ônibus um carro fica atrás de mim pressionando para passar. Ao perceber eu pedi que o mesmo me ultrapassasse sinalizando e esticando o braço a minha esquerda. Ao pararmos nos semáforo o mesmo solta a pérola:

-O que você está fazendo na rua, hoje não é Domingo.

Informe aos motoristas:

-bicicleta pode ser usada na rua e avenidas como qualquer meio de transporte em TODOS OS DIAS. Artigo 58 CTB

-a prioridade é da bicicleta devido sua vulnerabilidade, ou seja, para que se preze a vida. A mesma prioridade deve ser dada ao fazer conversões a direita: esperar a bicicleta passar ou entrar na frente da bicicleta com folga. Artigo 58 CTB

-se ultrapassar mudar de faixa ou mantenha 1,5m de distância, devido a leveza da bicicleta a mesma se desestabiliza mais facilmente que as motos por exemplo em casos de buracos e pistas irregulares. Artigo 201 CTB Além disso se você se manter atras de uma bicicleta mantenha distância segura para, no caso de queda, haja distância suficiente para o veículo automotor que é pesado parar. Artigo 192 CTB

Lembre-se:

Dar prioridade aos vulneráveis como pedestres e cilistas não é sinal de fraqueza, é sinal de humanidade

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